13 de julho de 2011

Platônico

quero porque quero
o que há pouco não sabia existir
quero, por isso espero
pelo mais improvável que há de vir

entorto os sonhos
ao meu gosto
para acalmar a alma
quando o corpo já dormiu

sofro pela distância
essa distância nova
recente
e que sempre existiu

mas essa minha mentira
me faz lembrar da verdade:
eu ainda não morri

(pois é, no final das contas
o gelo que ninguém quebrava
o seu azul me encarando consegue derreter)

fecho os olhos para ouvir
tum tum tum
o que será esse som?
minha alma bombardeando o espelho
ou - tomara, Deus
o resquício do meu cansado coração?

***

dedicado a um par de olhos azuis que conheci por aí

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