quero porque quero
o que há pouco não sabia existir
quero, por isso espero
pelo mais improvável que há de vir
entorto os sonhos
ao meu gosto
para acalmar a alma
quando o corpo já dormiu
sofro pela distância
essa distância nova
recente
e que sempre existiu
mas essa minha mentira
me faz lembrar da verdade:
eu ainda não morri
(pois é, no final das contas
o gelo que ninguém quebrava
o seu azul me encarando consegue derreter)
fecho os olhos para ouvir
tum tum tum
o que será esse som?
minha alma bombardeando o espelho
ou - tomara, Deus
o resquício do meu cansado coração?
***
dedicado a um par de olhos azuis que conheci por aí
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