23 de agosto de 2011

Pessoa

escrevo a quem se faz perto
e a quem quase ninguém vê
a quem, na verdade, eu mesma
tardei dores
e mais dores
até, enfim, perceber

onde só havia pó e céu
nuvens refletidas pelo chão
salgado era esse solo
- doce a visão
sorriu um rosto (des)conhecido
pareceu-me distração

chances que perdi
detalhes que ignorei
hoje, voltam em forma de cor
no brilho dos lábios
dos quais me esquivei

salvador de vidas se fez
salva a mim, doce paz
se, em um ou outro, acho prazer
no seu suspiro,
amor,
há tanto mais

a atenção me abandonou
tal qual o pensamento vil
e eu, não perdida,
mas também não descoberta
acordo sonhando
com 22 de abril

*****

dedicado a uma pessoa como Pessoa

Nenhum comentário:

Postar um comentário