escrevo a quem se faz perto
e a quem quase ninguém vê
a quem, na verdade, eu mesma
tardei dores
e mais dores
até, enfim, perceber
onde só havia pó e céu
nuvens refletidas pelo chão
salgado era esse solo
- doce a visão
sorriu um rosto (des)conhecido
pareceu-me distração
chances que perdi
detalhes que ignorei
hoje, voltam em forma de cor
no brilho dos lábios
dos quais me esquivei
salvador de vidas se fez
salva a mim, doce paz
se, em um ou outro, acho prazer
no seu suspiro,
amor,
há tanto mais
a atenção me abandonou
tal qual o pensamento vil
e eu, não perdida,
mas também não descoberta
acordo sonhando
com 22 de abril
*****
dedicado a uma pessoa como Pessoa
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