8 de agosto de 2011

Tola

ano que vem
eu talvez nem lembre
do seu azul, do seu rosa
das cores nas curvas do seu sorriso
do sol beijando com graça
o meu mais sonhado
pedaço de paraíso

ano que vem
eu talvez nem me choque
se enfim ouvir sua voz,
ou sentir seu toque
que, só de pensar, causa comoção
nessa bomba armada
que os leigos
chamam coração

mas ano que vem
não é agora

hoje eu quero cantar
você
e pra você
e dizer aos inimigos
que eu não preciso vencer
contanto que não tenha
que te perder
sem antes ter

ano que vem,
talvez tudo seja só lembrança
e eu perceba que era invenção
de quem te grita em silêncio
(essa eterna criança)
que nunca soube diferenciar
tolice de esperança

ou,
só por um minuto,
cedendo ao absurdo,
ano que vem, quem sabe
você seja mais que um olhar mudo

bem mais que uma vontade
que seja meu bom dia e boa noite
e madrugada, e tarde

que seja o que sempre foi:
o único homem, garoto, menino
que me tira dessa mesmice
e me traz uma dose de verdade
seja acaso ou destino

****
dedicado à incapacidade de ser realista

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